Sunday, August 26, 2007
Thursday, July 12, 2007
Corpo celeste
Flor e estrela
Nos teus braços corpo celeste
Entrar na atmosfera e arder
Fogo e água
Incêndios espontâneos
Sunday, June 17, 2007
O oleiro
Atravessavas o canavial e o canavial atravessava-te.
A água corre à sombra e toca a música dos regatos a anos-luz. Barro onde se afundam os pés, moldes de pés, moldados. Moldes donde sai o meu corpo e o teu.
Dentro de ti ganho uma nova forma.
Tuesday, March 13, 2007
Margem do céu
Muda de cor. Cor muda.
Garrafa de plástico entre as folhas podres e vivas.
Debaixo da romaneira o gato e o Sol aquecem-se um ao outro.
Do principio ao fim, sem principio nem fim.
Procurava a transparência com que se vestir. Sombra da Lua. Reflexo imaginado num lago só lembrado.
Flechas escapam dentro do olhar. Longe do voo e do vento.
Os ramos entrelaçam-se até formar novas formas, outros ramos, outras ideias de ramos.
A cem metros da margem afundava-se o infalível e o pensamento flutuava pela última vez na flor do fim.
Wednesday, January 10, 2007
Ressaca no sistema binário
Sentia no ouvido as vozes que me visitavam. Voam em círculos.
Língua vítrea.
Sons transparentes.
Voam em círculo no circuito dos cabelos.
Sentimos distúrbios no sistema.
Quero outra pele que esta já não me serve.
Criatura que se bifurca.
Abre as asas
Movimento lento, o planeta gira, gira demasiadamente depressa. Vomito na via-láctea
Uma folha de plátano mergulha lentamente na noite.
Sunday, December 17, 2006
Vozes de vento
As mãos eram a boca, os dedos em movimento sobre o papel e a pele, a voz .
As palavras vivas, condição necessária à criação, agitavam-se, rodopiavam num furor dionisíaco, ganhavam vida
Nem as mãos, nem a boca, nem os dedos, nem as palavras, eram mais meus.
Wednesday, December 06, 2006
Salto no vazio
Salta a janela à noite para se montar no fumo que a boca lança ao céu gelado.
Constelações agitam-se no ar para oferecer ramos de flores.
Sombra de um velho arbusto num arco pintado de branco.
Cenário com candeeiro e algumas árvores.
Grilo gritado no chão gelado.
Brincadeira fora do horário do mundo.
Chego atrasado à linha de vento que salta de árvore em árvore por entre os beijos da aurora.
Adivinhação, que é outra forma de conspirar.
Suspirar no meio dos destroços duma civilização ainda por vir e já condenada ao esquecimento.
Pensamento esquecido na memória infalível.
Falência das palavras e dos gestos.
Salto da janela da noite montado no lançamento do perfume do ar que ainda não respirei.
Irrespiráveis prisões do mundo.
Aberta a boca ao voar.
